Antes de ser continente, a África virou estereótipo. Durante séculos ela chegou às escolas brasileiras reduzida a três palavras: escravidão, miséria e violência.
Desbestializando existe para desfazer esse resumo e devolver ao leitor a dimensão real de um continente que é berço de saberes, culturas, tecnologias e histórias plurais.
O problema não está apenas no passado. A narrativa eurocêntrica silenciou reinos, línguas, religiões, tradições orais e invenções africanas, e a educação brasileira repetiu esse silêncio por gerações: simplificou, marginalizou e deixou de ensinar aquilo que é fundamental para compreender a formação do Brasil e da própria humanidade. O resultado aparece no imaginário coletivo, na sala de aula e no racismo estrutural que a atravessa.
Neste estudo, Dhiogo José Caetano propõe a socialização da História Africana como instrumento de transformação social, valorização identitária e combate ao racismo. A obra percorre as perspectivas de um passado negro, os caminhos da socialização da História Africana e a luta contra o preconceito e a discriminação racial, passando por memória, oralidade, escravidão, construção da identidade afro-brasileira, relações etnorraciais, movimentos de resistência e o papel dos mecanismos educacionais na formação crítica das novas gerações.
Licenciado em História pela Universidade Estadual de Goiás e pós-graduado em História Africana e Africanidade pela Universidade Federal de Goiás, o autor sustenta o argumento em ampla bibliografia e dialoga com Joseph Ki-Zerbo, Amadou Hampaté Bâ, Paulo Freire, Edward Said, John Thornton, Lilia Schwarcz e a coleção
História Geral da África, da Unesco.
Leitura objetiva e de fôlego curto, pensada para professores, estudantes de licenciatura, pesquisadores e leitores interessados em uma África narrada com dignidade e potência. Um chamado à consciência, à revisão dos currículos escolares e à prática educativa antirracista, para que as memórias silenciadas voltem a ser contadas.