No mundo da hiperatividade neoliberal do capitalismo comunicacional, a midiatização em rede traz o imperativo semiotizador de produtividade que exige impacto social e capitalização da atenção. Esse mundo que processa a captação da atenção produz, por outro lado, o déficit de atenção devido à hipervelocidade da dinâmica multidirecional das redes midiatizadas. Junto a esse déficit, há também outros, como o de identidade, tudo movido pelo imperativo de gozo.
Os movimentos de reconhecimento sucederam as lutas capital/trabalho, que passaram a conviver com os primeiros, centrando-se na luta política a partir da construção de identidades. Contra a tentativa de ler todo o déficit como de reconhecimento, Nancy Fraser propõe tensão entre reconhecimento e distribuição. Vladimir Safatle mostra o déficit de negatividade na crítica de Honneth.
Hoje, a questão é repensar o reconhecimento em conjunção com o acontecimento, de modo a não naturalizar a cooperação, mas pensar a negatividade para criação de novos mundos, como em Safatle e Slavoj Zizek. Vamos tematizar o acontecimento a partir da filosofia de Alain Badiou e da semiótica tensiva de Jacques Fontanille e Claude Zilberberg, em conjunção com a leitura que Safatle faz da crítica de Deleuze à psicanálise a partir de Jacques Lacan e de Theodor Adorno.