Um homem volta para a terra onde nasceu e encontra a fazenda cercada de interesses.
Romeu nunca foi feito para a cidade grande. O barulho, a pressa e a vida no automático o esmagam por dentro, porque o que ele entende como existência de verdade tem outro som: o vento no cerrado, o trabalho da terra e o Rio das Pedras correndo rente ao quintal.
Depois da perda dos pais, Romeu retorna à fazenda e descobre que o luto não encerra conflitos: ele apenas abre a porteira para disputas de herança, interesses antigos e uma ganância capaz de transformar família em ameaça. Quando um desaparecimento rompe o frágil equilíbrio da comunidade, o mundo à sua volta se embaralha entre suspeitas, lembranças e sinais que parecem vir da própria paisagem, como se a natureza guardasse segredos e se recusasse a ser silenciada.
Entre o real e o fantástico surge Onofra, uma mulher que atravessa a vida de Romeu como recomeço e escolha, e que também segue o próprio destino, longe das amarras de qualquer um. Em meio a chuvas, decisões irreversíveis e uma comunidade que observa tudo, a história avança até o ponto em que o rio passa a uivar junto com a consciência do lugar, e uma lenda nasce.
Rio de Pedras Uivantes é um romance sobre pertencimento, poder, culpa e legado, escrito na fronteira entre o realismo e o fantástico. A narrativa mescla o universo mágico com a tradição, a cultura, o campo e a cidade, e usa as diferenças entre o mundo rural e o urbano, a falta de árvores, os barulhos e as luzes da metrópole, para expor preconceito, ganância e interesse.
O livro é assinado por Ivanor Florêncio, artista plástico, dramaturgo e escritor goiano com oito livros publicados, e celebra 50 anos de sua vida literária, artística e cultural. Como observa a artista plástica e jornalista Tereza Virgínia no texto de abertura, trata-se de um autor realista na temática e na linguagem, que parte sempre do chão da experiência para inventar. O posfácio lembra ainda que a obra se propõe a mergulhar no inconsciente dos personagens, atrás dos sonhos, da esperança e da desesperança.
Se você gosta de ficção brasileira contemporânea, de romances de terra e de família e de histórias em que a paisagem também é personagem, comece a ler
Rio de Pedras Uivantes.