Há rios que a gente atravessa e há rios que atravessam a gente.
Ecos dos Rios Araguaia, Tocantins e suas Gentes nasce do segundo tipo: é a antologia poética de quem cresceu ouvindo a água bater no casco da canoa e nunca mais conseguiu escrever sobre outra coisa.
O que este livro guarda está desaparecendo. O cais que era ponto de encontro, o estaleiro, a travessia antes da ponte, o nêgo d'água contado à boca pequena, as senhoras do rio, o pôr do sol visto de dentro da canoa. São cenas que muitos leitores ainda testemunharam e que hoje sobrevivem quase só na memória de quem viu. Represamento, devastação e pressa apagam a paisagem e o modo de vida na mesma velocidade, e quase ninguém está anotando o que se perde.
Este livro anota. São cerca de 90 poemas escritos entre 1986 e 2026, organizados em seis partes:
Rio,
Família,
Resistência,
Gentes,
Mensagem e
Mulheres. Do soneto ao verso livre, do jogo gráfico com as palavras ao poema de uma linha só, Josivaldo de Oliveira Souza versa sobre a canoa e o cais, os seres das águas, os ribeirões que desaguam, a mãe e o pai, a terra dos avós, a fé, a amizade de quarenta anos e as muitas mulheres que sustentam esse mundo: Custódia Maria, Vovó Bernardina, Olinda, Dona Francisca, as senhoras do rio. Fecha pedindo paz em doze línguas.
O olhar é de dentro. O autor é poeta, artista plástico, músico, desenhista e fotógrafo, confrade da ACALANTO, da ALABIP e da ALENTO, e escreve o Bico do Papagaio com a propriedade de quem é dali. Os textos de abertura são assinados por Giano Carlos dos Santos Guimarães, escritor cordelista e servidor da UFNT, e por Carlos Antônio Oliveira Sousa, professor, mestre e escritor em Tocantinópolis, que destaca no livro a percepção aguçada e a visão multifacetada do poeta. A ilustração da capa é do filho do autor, Arthur Lopes.
Se você é do Norte, vai reencontrar aqui o seu lugar inteiro. Se não é, vai descobrir por que dois rios gigantes se abraçam antes de seguir rumo ao oceano, carregando história de muitas vidas e muitos tempos. Embarque nesta leitura e navegue no leito de dois rios e na memória de um poeta ribeirinho.